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O som que o campo magnético da Terra produz

06 abr 2020 DESTINOS FOTOGRÁFICOS 0 COMENTÁRIOS

Separados por uma distância de quase 150 milhões de quilômetros, a Terra e o Sol estão coligados por meio de processos que ocorrem dentro da nossa estrela e que impactam diretamente nas condições do planeta. Um dos maiores fenômenos acontece no campo magnético terrestre, quando ele interage com as partículas detentoras de carga elétrica emanadas pelo Sol — e os cientistas acabam de revelar o som dessa interação.

Há sempre um fluxo constante dessas partículas soprando em meio aos planetas e tudo o que existe entre eles é o chamado vento solar. Na maior parte do tempo, é só essa “brisa” que chega até a Terra. Mas, às vezes, essa calmaria é interrompida por violentas erupções na superfície do Sol, que lançam rajadas muito mais intensas de partículas ao espaço — são as famosas tempestades solares. 

Pesquisadores europeus investigaram o fenômeno. Enquanto analisavam o arquivo de dados de uma antiga missão da Agência Espacial Europeia (ESA) para estudar o comportamento magnético da Terra, eles notaram que havia ali o registro de seis tempestades solares, que atingiram nosso planeta entre 2001 e 2005. Os quatro satélites sincronizados da missão cluster captaram o que acontece no momento em que a ventania solar incide sobre a zona limítrofe da magnetosfera terrestre.

Uma das consequências disso é a geração de ondas magnéticas bastante intrincadas que se espalham em direção à Terra. O estudo detalhado das primeiras observações já feitas dessa interação foi publicado agora no segundo semestre de 2019, no periódico Geophysical Research Letters. Mas os cientistas foram além: converteram as ondas magnéticas em ondas sonoras. Os áudios mostram o “canto” de nosso planeta ao ser atingido por uma tempestade solar.

Show ensolarado

A equipe disponibilizou dois clipes distintos: um que reproduz as condições magnéticas em tempos de calmaria, e outro que mostra como são as coisas quando o Sol acorda zangado. É fácil notar as diferenças. Só sob o vento solar, a oscilação das ondas é menos complexa, seguindo uma única frequência em tom mais baixo. Já em dias de ventania solar, a onda dobra de frequência, passando a seguir padrões bem mais complexos e mais altos.

Toda essa ressonância de ondas magnéticas é empurrada rumo ao planeta por conta da pressão exercida pelas partículas solares. Mas, antes de adentrarem nossa atmosfera, elas são desaceleradas por uma outra região da magnetosfera: o chamado choque em arco (bow shock). Funciona como uma espécie de freio para o vento solar. Ambas as camadas, foreshock e bow shock, deixam suas marcas nesse maremoto magnético.

Assim, as ondas chegam ao solo bastante modificadas. Só que o processo é bem rápido — leva mais ou menos dez minutos. “Nós já contávamos com uma mudança na frequência, mas não no nível de complexidade da onda”, explicou em comunicado a líder do estudo, Lucile Turc, ex-pesquisadora da ESA e atualmente vinculada à Universidade de Helsinki, na Finlândia. Sua equipe criou um modelo de computador para simular os padrões.

Esse tipo de pesquisa faz parte de uma área chamada clima espacial, que tem ganhado cada vez mais relevância. Afinal, é imprescindível compreender melhor tanto a natureza quanto o comportamento do Sol — e como ele influencia nosso planeta. Tempestades solares podem causar graves prejuízos, comprometendo tecnologias como redes elétricas e satélites. Além disso, é também um jeito de entender o universo, já que campos magnéticos estão por toda a parte.

Mas, existe um ditado antigo que diz o seguinte: “Alegria de uns, tristeza de outros” e vice versa. Acontece que os choque deste mesmo vento solar com atmosfera do nosso planeta é  justamente o que precisamos para que o fenômeno da Aurora Boreal aconteça. Explica Marco Brotto, o Caçador de Aurora Boreal:

“O fabuloso fenômeno é causado por incontáveis colisões entre o plasma solar, que são partículas eletricamente carregadas e trazidas pelo vento solar, e as moléculas de gás da atmosfera terrestre. Quando os elétrons e prótons do sol colidem estes gases na atmosfera da Terra, eles ganham energia e ocorrem a ionização, dissociação e excitação das partículas. Do plasma, os elétrons são arrancados do átomo e iniciam a produção de reações químicas eletricamente carregadas. Isso reflete em uma instabilidade física desse plasma, vibrando em ondas luminosas. Para reequilibrar e neutralizar, eles liberam essa energia na forma de luz. O resultado? Bingo! Aurora Boreal. Northern Lights. Aurora Borealis.”

Fontes: Auroraboreal.blog.br

              super.abril.com.br

Marco Brotto caçador de Aurora Boreal
MARCO BROTTO
Marco Brotto tornou-se conhecido como o caçador brasileiro de Aurora Boreal. Já viu centenas de spots de Aurora Boreal em vários locais do mundo, proporciona experiências incríveis para aqueles que o acompanham e possui um espetacular acervo de fotos de auroras.
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